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A Pró-Saúde encerrou nesta quarta-feira (21), a intervenção no Hospital São Lucas, em Patos de Minas, e na Clínica de Hemodiálise D’Heronville, no município de Unaí, ambos no Estado de Minas Gerais, após concluir o diagnóstico técnico sobre a situação econômica, administrativa e assistencial das unidades de saúde.

 

A entidade foi indicada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais para apurar a situação atual e propor soluções para a recuperação do hospital e da clínica, que enfrentam um grave quadro de precariedade e endividamento.

O diagnóstico foi realizado no período de 20 de maio a 12 de agosto deste ano e envolveu o trabalho feito por técnicos de diversas áreas da Pró-Saúde — administrativa, médica, jurídica, enfermagem, suprimentos, comunicação, operações, contabilidade entre outras. Com mais de 50 anos de atuação, a entidade é considerada uma das maiores filantrópicas do País.

O relatório mostra que as dívidas do hospital e da clínica ultrapassam os R$ 15 milhões. O rombo afeta diretamente funcionários com salários atrasados, prestadores de serviços e fornecedores que, sem receber, interromperam a manutenção de equipamentos utilizados no atendimento e realização de exames de pacientes.

Cirurgia Geral, Cirurgia Oncológica, Mastologia e Cirurgia Vascular haviam paralisado a prestação de serviços desde maio, por falta de recebimento de honorários médicos. Para se ter uma ideia da gravidade, das 67 máquinas de hemodiálise do hospital e clínica, 25 estavam paralisadas por falta de recursos para reparos.

Atendimento

Durante a intervenção, a Pró-Saúde colocou em prática uma série de ações para tentar reverter o processo de precarização do hospital e clínica, em uma tentativa de recuperar minimamente o atendimento à população. A entidade conseguiu ampliar o estoque de R$ 289 mil para R$ 544 mil, o que melhorou a reposição de materiais médicos utilizados no atendimento à população.

Outro ponto importante alcançado pela gestão da entidade foi o pagamento dos salários atrasados dos colaboradores, após repasse de recursos da Prefeitura de Patos de Minas. A Pró-Saúde também realizou a manutenção corretiva de equipamentos do hospital, que incluem os aparelhos da hemodiálise e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto e neonatal, e a recuperação de raios x e incubadoras. Foram restabelecidos os atendimentos médicos e os serviços de análises clínicas realizadas por laboratórios terceirizados.

Houve, ainda, a regularização de pagamentos das contas de energia elétrica, água, telefone e internet que constavam em atraso e com o serviço de telefonia suspenso. Das três usinas de oxigênio paralisadas no hospital, duas foram recuperadas pela entidade. As ações realizadas no hospital repercutiram na cidade. A Secretaria Municipal de Saúde chegou a reconhecer os resultados em entrevistas concedidas à imprensa.

Nesta quarta-feira, dia 21/8, agentes da Vigilância Sanitária realizaram nova inspeção no hospital com a finalidade analisar os apontamentos realizados na última vistoria. Segundo os agentes, durante a inspeção, houve o reconhecimento da evolução da organização, administração e limpeza das instalações.

A Pró-Saúde, porém, observa que as melhorias tanto no hospital quanto na clínica, não representam uma resolução total dos problemas existentes nas unidades. A entidade explica que ainda existem pontos com necessidade de adequação, entre os quais destacam-se a ausência de responsável técnico médico pelo Hospital São Lucas, que incluem as UTIs na unidade.

Também a necessidade de formalização de contratos para os serviços de laboratório de análises clínicas e pelo serviço de engenharia clínica, especialmente para a manutenção preventiva dos equipamentos de hemodiálise e de suporte a vida. A Pró-Saúde também constatou a falta de projeto arquitetônica do hospital, documento essencial para a autorização e funcionamento de órgãos como Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária.

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade. Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 23 cidades de 11 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.